
Um dia desses, no meio do caminho pro trabalho, andei pensando naquilo tudo que eu já vivi.
Aquela sensação de um passado tão distante chegou a incomodar, a me chamar, no meu mais profundo.
Uma saudade das tardes quentes de verão, em que eu deitava na cama e olhava pra fora da janela, só pra poder observar o trajeto dos pássaros, que pareciam pontinhos negros no céu e as nuvens, que formavam tantos desenhos quanto minha imaginação desejasse.
Uma saudade tão grande que quase sufocava.
Lembrei-me também das pessoas que passaram por mim. Tantas vozes, rostos diferentes... Marcas eternas na alma. Coisas que jamais serão apagadas. Talvez esquecidas no superficial do dia-a-dia , mas no íntimo, sempre estarão presentes. Aquilo que uma vez me foi apresentado, não posso me desfazer.
Às vezes o destino é traiçoeiro e nos tira aqueles que achamos que jamais morreria, que jamais desapareceria de nossas vidas. Tudo tão repentino e misterioso. Mas não coloco em discussão. O destino tem os caminhos mais incertos e inatingíveis pelo nosso entendimento.
E me veio à mente as tantas vezes em que eu apanhei e tropecei no meio do caminho da amizade. Precisei de uma dose de anti-orgulho muito grande. E percebi que só agora encontrei quem sempre me fazia falta. (São vocês que eu quero do meu lado até pra terminar a vida! Quero que vejam minha vida de perto, como sempre fazem).
A saudade me fez tão bem naquele dia!
Aquela tarde nostálgica me fez ver as coisas mais simples e bonitas da vida, da minha vida.